Doação de Medula Óssea

O que é Medula Óssea?

A medula óssea, encontrada no interior dos ossos, o tutano dos ossos, contém as células-tronco hematopoiéticas que produzem os componentes do sangue, incluindo as hemácias ou glóbulos vermelhos, os leucócitos ou glóbulos brancos que são parte do sistema de defesa do nosso organismo, e as plaquetas, responsáveis pela coagulação.

Quem necessita de transplante de Medula Óssea?

Pacientes com doenças que comprometem a produção normal de células sanguíneas, como as leucemias; além de portadores de aplasia de medula óssea e síndromes de imunodeficiência congênita.

No caso específico das leucemias, é importante lembrar que a indicação de transplante irá depender do tipo de leucemia e da resposta inicial ao tratamento com quimioterapia e, em muitas situações, a doença pode ser curada, apenas, com tratamento convencional com quimioterapia e/ou radioterapia.

Existem dois tipos principais de transplante de medula: autólogo e alogênico. No transplante autólogo, as próprias células-tronco hematopoiéticas do paciente são removidas antes que a quimioterapia ou radioterapia de alta dose seja administrada, e, então, são armazenadas para posterior uso. Após a quimioterapia e/ou a radioterapia estar finalizada, as células colhidas são infundidas no paciente.

No transplante alogênico, as células-tronco hematopoiéticas vêm de um doador, idealmente um irmão ou irmã com uma composição genética semelhante. Se o paciente não tem um doador aparentado compatível, medula óssea de uma pessoa não aparentada e com uma composição genética semelhante pode ser usada. Em algumas circunstâncias, um pai ou filho que tenha apenas metade da correspondência também pode ser usado; isso é chamado de transplante haploidêntico. O sangue de cordão umbilical também pode ser usado, uma vez que ele é rico em células-tronco hematopoiéticas.

Quem pode se cadastrar como doador medula óssea?

Para se cadastrar como doador de medula óssea é necessário atender os seguintes requisitos:

Ter entre 18 e 35 anos de idade;

– Estar em bom estado geral de saúde;

– Não ter doença infecciosa transmissível pelo sangue;

– Não apresentar doença neoplásica (câncer), hematológica (do sangue) ou do sistema imunológico;

– Algumas complicações de saúde não são impeditivas para doação, sendo analisado caso a caso.

Para o cadastro, será colhida uma amostra de sangue (5 ml) para realização do teste de compatibilidade (HLA).

O que é o REDOME?

O Redome é o Registro de Doadores Voluntários de Medula Óssea, responsável pela manutenção das informações de todos os doadores voluntários de medula óssea cadastrados no Brasil e pela identificação de possíveis doadores para pacientes brasileiros. Esta atividade está sob coordenação do INCA (Instituto Nacional de Câncer).

Para se cadastrar como candidato à doação de medula óssea em Uberlândia, você pode procurar a Fundação Hemominas, que é responsável pelo cadastro e coleta de informações dos doadores. A Fundação Hemominas, em Minas Gerais, é responsável pelo cadastro de doadores de medula óssea e pela coleta de amostras para o Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea (REDOME). É importante verificar a disponibilidade de atendimento e agendamento na unidade de Uberlândia, que funciona em horários específicos. O cadastro envolve o preenchimento de um formulário e a coleta de uma amostra de sangue para exame de compatibilidade.

O Registro Nacional de Doadores Voluntários de Medula Óssea (REDOME) do Brasil possui mais de 5,9 milhões de doadores cadastrados, tornando-se o terceiro maior registro do mundo e o maior com financiamento exclusivamente público. No mundo, existem cerca de 42 milhões de doadores voluntários.

O REDOME é coordenado pelo Instituto Nacional de Câncer (INCA) e financiado pelo Ministério da Saúde. O registro centraliza informações de doadores dispostos a ajudar pacientes que necessitam de transplante de medula óssea.

A busca por doadores compatíveis é feita primeiramente entre familiares. Caso não haja compatibilidade familiar, a busca se estende aos registros de doadores não relacionados (não aparentados), tanto em nível nacional quanto internacional.

É importante ressaltar que o processo de doação é anônimo, ou seja, o doador não tem conhecimento sobre quem receberá sua doação e o paciente não tem informações sobre o doador.

Oque é REREME?

O Registro Nacional de Receptores de Medula Óssea (REREME) é um sistema do INCA que gerencia o cadastro de pacientes que precisam de transplante de medula óssea e buscam doadores não aparentados. Ele funciona em conjunto com o REDOME, o registro de doadores, para encontrar compatibilidades entre quem precisa e quem pode doar.

O REREME é um sistema específico para receptores de medula óssea, onde são inseridas as informações dos pacientes que necessitam do transplante.

Ele faz parte do sistema de busca de doadores coordenado pelo INCA, em conjunto com o REDOME.

A busca por doadores compatíveis envolve o cruzamento de dados genéticos entre os receptores (REREME) e os doadores (REDOME).

Como funciona O REREME:

1- O médico responsável pelo paciente registra os dados do paciente e o resultado do exame de histocompatibilidade (HLA) no REREME.

2- O REDOME, por sua vez, contém os dados dos doadores voluntários, cadastrados em hemocentros de todo o Brasil.

3- Quando há uma possível compatibilidade entre um receptor (REREME) e um doador (REDOME), o doador é contatado para confirmar a doação.

Importância do REREME:

– O REREME aumenta a agilidade e transparência do processo de busca por doadores, facilitando a localização e contato com potenciais doadores.

– Ele contribui para o aumento do número de transplantes de medula óssea bem-sucedidos no Brasil.

– Ao integrar os dados de receptores e doadores, o REREME otimiza a busca por compatibilidades, o que é fundamental para salvar vidas.

O que o doador deve fazer depois de ser cadastrado no Redome?

O cadastro do doador permanecerá ativo no REDOME até ele completar 60 anos de idade e, assim, ele poderá ser selecionado para um paciente ao longo de toda a sua vida. Por este motivo, é importante que o doador mantenha seus dados pessoais atualizados – o que pode ser feito através do site do REDOME – http://redome.inca.gov.br/doador-atualize-seu-cadastro.

Quais as chances de encontrar um doador compatível de medula óssea?

Em função das características genéticas do sistema HLA, esta chance é de 25% entre irmãos e muito menor quando buscamos doadores não-aparentados.

A chance de encontrar uma medula compatível entre pessoas que não são parentes pode chegar de 1 em 100.000 até 1 em 1.000.000. Por este motivo, existem os Registros de Doadores Voluntários em diferentes países, totalizando mais de 42 milhões de doadores no mundo. O REDOME é, hoje, o terceiro maior registro e representa, para os pacientes brasileiros, a maior chance de encontrar um doador não-aparentado.

O que acontece com o doador de medula óssea antes da doação?

Uma vez identificado um potencial doador compatível, ele é contatado e convidado a realizar novos testes de compatibilidade e uma avaliação clínica e laboratorial. Confirmada a compatibilidade com o paciente e o bom estado-de-saúde do doador, a doação é agendada. Este processo costuma levar 60 dias e não é necessária nenhuma mudança de hábitos de vida, de trabalho ou de alimentação.

O limite de idade para efetivar a doação de medula óssea não-aparentada é até os 60 anos.

Importante!

Um doador de medula óssea deve manter seu cadastro sempre atualizado. Caso haja alguma mudança, a pessoa pode fazer a atualização no site do Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea (REDOME) http://redome.inca.gov.br/, no aplicativo “REDOME” ou pelo e-mail: [email protected].

Carteira do doador

A carteirinha do doador é o único documento de comprovação de cadastro emitido pelo Redome e para solicitá-la, baixe o aplicativo “REDOME”, disponível na sua loja de aplicativos do celular. Lá, além do voluntário poder gerar a carteira de doador, ele também pode gerar uma declaração de que é doador de medula óssea e atualizar os dados do seu cadastro.

Como é feita a doação de Medula Óssea?

Quando aparecer um paciente, sua compatibilidade será verificada. Se houver compatibilidade, outros testes sanguíneos serão necessários. Se a compatibilidade for confirmada, a pessoa será convocada para decidir a doação, em seguida será avaliada por um clínico e receberá mais informações.

Posso doar mais de uma vez?

Dificilmente haverá mais de uma pessoa compatível com o doador, no entanto se for necessário, pode haver mais de uma doação. A medula se regenera rapidamente, como acontece na doação de sangue.

Como a medula é removida?

A coleta das células-tronco hematopoiéticas é realizada em centros de transplante ou hemocentros públicos ou privados de todo o país autorizados pelo Ministério da Saúde.

Existem duas formas de doar medula:

1- Punção direta da medula óssea: Realizada na região do quadril. O procedimento dura em torno de 90 minutos e é feito com anestesia. É realizada em centro cirúrgico, sob anestesia. A coleta direta da medula óssea é realizada com agulha especial e seringa na região da bacia. Retira-se uma quantidade de medula (tutano do osso) equivalente a uma bolsa de sangue.

Não fica cicatriz, apenas a marca de 3 a 5 furos de agulhas. É importante destacar que não é uma cirurgia, ou seja, não há corte, nem pontos. O doador fica em observação por um dia e pode retornar para sua casa no dia seguinte.

2- Punção da veia: Realizada com máquina de aférese.

O sangue do doador é retirado por um acesso venoso e passa por uma máquina que separa as células-tronco. Depois, o sangue retorna ao doador.

Na doação por aférese, as células são coletadas diretamente da corrente sanguínea, através de um procedimento de aférese que dura cerca de 3 a 4 horas. Neste caso, o doador deverá receber uma medicação por 5 dias para estimular as células-tronco.

Como é feita a escolha da fonte de células-tronco hematopoiéticas para doação?

O médico responsável pelo tratamento do paciente, irá indicar qual a fonte selecionada para transplante – medula óssea ou aférese – e o médico que avaliar o doador, irá discutir com ele os prós e os contras de cada método.

Quanto tempo medula do doador leva para se recompor?

As células-tronco hematopoiéticas se proliferam naturalmente e, por este motivo, cerca de duas semanas após a doação o organismo do doador estará recuperado.

Como os pacientes recebem a medula óssea?

Depois de um tratamento que destrói sua própria medula óssea com quimioterapia e/ou radioterapia (condicionamento), o paciente receberá a nova medula por meio de uma transfusão. O condicionamento no transplante alogênico de células-tronco hematopoiéticas é um regime de quimioterapia e/ou radioterapia administrado ao receptor antes do transplante. O objetivo principal é destruir as células doentes do paciente, suprimir seu sistema imunológico para evitar a rejeição do enxerto e criar espaço na medula óssea para as células-tronco saudáveis do doador.

Em três semanas, a medula transplantada já produzirá células novas.

Você sabia?

Tudo seria muito simples e fácil se não fosse o problema da compatibilidade entre as medulas do doador e receptor. A chance de encontrar uma medula compatível pode chegar a uma em cada cem mil a um milhão de habitantes. Em razão disso, existe o REDOME, um banco de doadores de medula óssea. Quando um paciente necessita de transplante, esse banco é consultado e se for encontrado um doador compatível, ele será convidado a fazer a doação.

Transplante de Medula Óssea

O transplante de medula óssea é um tipo de tratamento proposto para algumas doenças que afetam as células do sangue, como as leucemias e os linfomas. Consiste na substituição de uma medula óssea doente, ou deficitária, por células normais da medula óssea, com o objetivo de reconstituição de uma nova medula saudável.

É na medula óssea que se localizam as células-tronco hematopoiéticas, responsáveis pela geração de todo o sangue (glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas). Essas são as células substituídas no transplante de medula.

TMO (Transplante de Medula Óssea) e TCTH (Transplante de Células Tronco Hematopoiética)

As células-tronco hematopoiéticas também circulam no sangue periférico (caso estimuladas com medicamento fator de crescimento), podendo ser coletadas por aférese. Por isso, o termo “Transplante de Medula Óssea – TMO” tem sido substituído por “Transplante de Células-Tronco Hematopoiéticas – TCTH” para estes procedimentos.

Referências

1- https://ameo.org.br/como-e-feita-a-doacao-de-medula-ossea/

2- https://www.hemominas.mg.gov.br/doacao-e-atendimento-ambulatorial/atendimento-ambulatorial/doacao-de-medula-ossea

3- https://www.gov.br/pt-br/servicos/realizar-o-cadastro-como-doador-de-medula-ossea-no-hcpa

4- https://www.gov.br/inca/pt-br/acesso-a-informacao/perguntas-frequentes/doacao-de-medula-ossea

5- http://redome.inca.gov.br

6- https://www.hemope.pe.gov.br/redome

7- https://www.hemocentro.org.br/principal.asp?edoc=conteudo&secaoid=435

Autor: Dr. Sílvio Marques Pessoa – CRM: MG 16032
Uberlândia – MG, 11 de Setembro de 2025