O Checkup Medicina e Diagnóstico disponibiliza o teste RT-PCR para detecção do vírus Monkeypox.
Vamos nos referir à doença varíola dos macacos como Mpox.
Mpox foi declarada uma emergência de saúde pública de interesse internacional pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em 14 de agosto de 2024. O Diretor-Geral da OMS, Dr. Tedros Adhanom Ghebreyesus, determinou que o aumento de Mpox na República Democrática do Congo e em um número crescente de países na África constitui uma emergência de saúde pública de interesse internacional, de acordo com o Regulamento Sanitário Internacional.
O vírus
O vírus Mpox é um vírus de DNA de fita dupla, do gênero Orthopoxvirus, pertencente à família Poxviridae. Os poxvírus são causadores de doenças em humanos e em muitos outros animais. É importante destacar que, apesar do nome, os macacos não são os únicos reservatórios do vírus. Os animais são tão contaminados quanto os humanos, não sendo os responsáveis pelo vírus. O surto global de Mpox começou em 2022. Um surto de Mpox em vários países foi declarado uma Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em 23 de julho de 2022 e expirou em 11 de maio de 2023. Foram notificados 97.208 casos confirmados de Mpox, incluindo 186 mortes, em 117 países e regiões, de 1º de janeiro de 2022 a 30 de abril de 2024.
Países mais afetados (responsáveis por 80,8% dos casos a nível mundial):
- Estados Unidos: 32.820
- Brasil: 11.212
- Espanha: 7.992
- Colômbia: 4.226
- França: 4.218
- México: 4.097
- Inglaterra: 3.928
- Alemanha: 3.841
- Peru: 3.812
- China: 2.357
Em 2024, foram notificados 709 casos confirmados ou prováveis da doença no Brasil, sendo 85% do sexo masculino e 42,2% pessoas vivendo com HIV/Aids.
Teste diagnóstico RT-PCR
O diagnóstico é estabelecido com reação em cadeia da polimerase (PCR) para detectar o DNA do vírus da varíola dos macacos. Pode ser realizado em material colhido de lesões cutâneas ou mucosas, com aspecto de vesículas, úlceras ou crostas. Também pode ser realizado em raspado conjuntival do olho. Não há necessidade de agendamento prévio para realizar o exame.
Tempo para disponibilização do resultado: dentro de 24 horas.
Transmissão
A transmissão para humanos ocorre principalmente por meio do contato próximo e prolongado, como abraços, beijos ou relação sexual, com pessoas infectadas pela Mpox e que apresentam lesões na pele, erupções cutâneas, bolhas, crostas ou fluidos corporais, como secreções e sangue. O compartilhamento de objetos recentemente contaminados com fluidos ou materiais de lesões infectantes também pode transmitir a doença.
Existe transmissão por meio de gotículas respiratórias, porém, geralmente requer contato pessoal prolongado, o que coloca os profissionais de saúde, membros da família e outros indivíduos próximos de casos ativos em maior risco. Pessoas com a doença devem evitar contato com animais domésticos, que podem se infectar.
A transmissão da Mpox ocorre a partir do surgimento dos primeiros sinais e sintomas até a completa cicatrização de todas as lesões na pele
Perfil geral dos casos documentados
- 96,4% dos pacientes são do sexo masculino, com idade média de 34 anos.
- 85,5% identificaram-se como homens que fazem sexo com homens.
- 51,9% dos casos envolviam pessoas com HIV.
- 83,6% dos casos estavam associados a encontros sexuais.
Período de transmissão do vírus
A transmissão ocorre por meio do contato com o vírus presente em animais, humanos ou materiais contaminados. A transmissão zoonótica pode ocorrer de um reservatório ou de um animal acidentalmente infectado para humanos, por meio de contato com fluidos biológicos, lesões, mordidas, abate ou consumo de animais infectados.
A transmissão entre humanos se dá pelo contato com fluidos biológicos e lesões, de forma direta ou por materiais contaminados, como roupas de cama. Mulheres grávidas podem transmitir o vírus Mpox ao feto durante a gestação ou ao recém-nascido durante e após o parto.
O período de incubação, que é o tempo entre o primeiro contato com o vírus e o início dos sintomas, varia de 3 a 16 dias, com uma média de 13 dias, podendo chegar a 34 dias.
Os pacientes são contagiosos desde o início dos sintomas até que as crostas caiam e uma nova camada de pele se forme, embora haja relatos de transmissão assintomática de 1 a 4 dias antes do início dos sintomas.
O vírus Mpox penetra no organismo através das membranas mucosas (como ocular, respiratória, oral, uretral e retal) ou por fissuras na pele.
Principais sintomas
A infecção pode ser dividida em dois períodos. O primeiro dura até cinco dias, com sintomas como febre, dor de cabeça intensa, dor nas costas, mialgia, fraqueza severa e linfadenopatia. É importante destacar que nem sempre esses sintomas estão presentes.
O segundo período geralmente se inicia entre um a três dias após o surgimento da febre, caracterizando-se por erupções cutâneas, geralmente mais concentradas na face (95% dos casos) e nas extremidades (palmas das mãos e plantas dos pés em 75% dos casos) do que no tronco. A doença também pode acometer mucosas orais (70%), genitália (30%) e conjuntiva (20%), além da córnea.
No surto atual, muitos casos apresentaram poucas lesões ou até mesmo uma única lesão, frequentemente localizada na região genital ou perianal, o que ressalta a importância de diferenciar a doença de infecções sexualmente transmissíveis com sintomas clínicos semelhantes, destacando o valor do diagnóstico laboratorial.
Prevenção
A forma mais eficaz de prevenir a Mpox é evitar o contato direto com pessoas infectadas e seus objetos pessoais. Lave as mãos com água e sabão regularmente e use máscara de proteção cobrindo o nariz e a boca, especialmente ao cuidar de pessoas infectadas. Seguir rigorosamente as recomendações de isolamento dos pacientes é crucial para interromper a propagação do vírus na comunidade.
Passos importantes para prevenir a Mpox:
Evite contato próximo com pessoas que apresentem erupções cutâneas semelhantes à Mpox, incluindo:
- Contato direto pele a pele com erupções ou crostas.
- Contato com saliva, secreções respiratórias e fluidos ou lesões corporais.
- Contato íntimo, como sexo oral, anal ou vaginal, e toque nos genitais ou no ânus.
- Abraços e beijos.
- Interações prolongadas com outras pessoas.
- Não toque ou manuseie tecidos, objetos ou superfícies usados por pessoas com Mpox, sem que tenham sido devidamente desinfetados, como roupas, roupas de cama e toalhas.
Vacina
Embora exista uma vacina para a Mpox, ela não é considerada, neste momento, a estratégia mais eficiente para controlar a doença. Em 2023, durante a Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou provisoriamente a vacinação contra a Mpox no Brasil. Desde então, mais de 29 mil doses foram aplicadas. A disponibilidade da vacina é limitada devido à complexidade de sua produção, o que torna difícil a aquisição em larga escala globalmente.
Tratamento
Atualmente, não há um tratamento específico para a infecção pelo vírus da Mpox. O atendimento médico é direcionado para o alívio dos sintomas, controle da dor e prevenção de possíveis sequelas a longo prazo.
Observações:
Estas informações fornecem uma visão geral e podem não se aplicar a todos. Consulte seu médico para saber se são aplicáveis ao seu caso e para obter mais detalhes sobre o assunto.
Referências:
1- DynaMed. Mpox. EBSCO Information Services. Accessed 22 de agosto de 2024. https://www.dynamed.com/condition/mpox
2- Gessain A, Nakoune E, Yazdanpanah Y. Monkeypox. N Engl J Med 2022 Nov 10;387(19):1783-1793
3- Saguil A, Krebs L, Choe U. Mpox: Rapid Evidence Review. Am Fam Physician 2023 Jul;108(1):78-83
4- McLean J, Gunaratne S, Zucker J. Update on Mpox: What the Primary Care Clinician Should Know. Med Clin North Am 2024 Mar;108(2):355-371
5- Ministério da Saúde do Brasil. Mpox. Publicado em 20/08/2024 18h00 Atualizado em 22/08/2024 14h48.
Autor: Dr. Sílvio Marques Pessoa – CRM: MG 16032
Uberlândia – MG, 11 de setembro de 2024